CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

27 de abril de 2017

Criatividade para o século XXI: Amit Goswani


A realidade se efetiva a partir das possibilidades que a consciência tem a sua escolha.





26 de abril de 2017

Memórias Póstumas de Brás Cubas: Machado de Assis



Morro da Conceição

A sátira menipeia é uma forma de sátira escrita geralmente em prosa, com extensão e estrutura similar a um romance, caracterizada pela crítica às atitudes mentais ao invés de a indivíduos específicos.


Memórias acabam em pizza

Virgília era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação. Era isto Virgília, e era clara, muito clara, faceira, ignorante, pueril, cheia de uns ímpetos misteriosos; muita preguiça e alguma devoção, — devoção, ou talvez medo; creio que medo.


Nhã-Loló: 200 anos depois, a febre amarela está de volta

Bem aventurados os que não descem 
porque deles é o primeiro beijo das moças



"O indivíduo se emociona para ficar 'fora de ação' 
e não se encarregar da vida"


Volúpia do aborrecimento

Fiquei prostrado. E contudo era eu, nesse tempo, um fiel compêndio de trivialidade e presunção. Jamais o problema da vida e da morte me oprimira o cérebro; nunca até esse dia me debruçara sobre o abismo do Inexplicável; faltava-me o essencial, que é o estímulo, a vertigem...

Para lhes dizer a verdade toda, eu refletia as opiniões de um cabeleireiro, que achei em Módena, e que se distinguia por não as ter absolutamente. Era a flor dos cabeleireiros; por mais demorada que fosse a operação do toucado, não enfadava nunca; ele intercalava as penteadelas com muitos motes e pulhas, cheios de um pico, de um sabor... Não tinha outra filosofia. Nem eu. Não digo que a Universidade me não tivesse ensinado alguma; mas eu decorei-lhe só as fórmulas, o vocabulário, o esqueleto. Tratei-a como tratei o latim; embolsei três versos de Virgílio, dois de Horácio, uma dúzia de locuções morais e políticas, para as despesas da conversação. Tratei-os como tratei a história e a jurisprudência. Colhi de todas as coisas a fraseologia, a casca, a ornamentação...


De Brás Cubas para Marcela



Leituras Suplementares

O Alienista: Machado de Assis
Tartufo: Molière
Um mapa da desleitura: Harold Bloom
Teogonia: Hesíodo
Fenomenologia do espírito: Hegel
Poética: Aristóteles
Fausto: Goethe
Amar, verbo intransitivo: Mário de Andrade
Carmen: Prosper Merrimée
O riso: Bergson
Esboço para uma teoria das emoções: Jean Paul Sartre
Recollections of Early Childhood: V. Wordsworth
The rainbow: V. Wordsworth
Memórias de um sargento de milícias: Manuel Antônio de Almeida




I will chide no breather in the world but myself, 
against whom I know most faults.


Morro do Livramento


Na hora certa, o amor dá certo!



O Mito: Carlos Drummond de Andrade


"Que bom que é estar triste e não dizer coisa alguma!"
(Shakespeare)


Mrs. Dalloway







Mrs. Dalloway: Virginia Woolf - 28/05/2010










"... não há portão, nem fechadura, nem trinco que você consiga colocar na liberdade da minha mente." (Virginia Woolf)

23 de abril de 2017

Brás Cubas & Virgília: Mr. EPA

Brás Cubas: Então? 




Virgília: Espere um pouco mais. 




Brás Cubas: Está bem


Como prefira 




Virgília: Ah! 




Brás Cubas: Por mim não terminava nunca. 




Virgília: É um momento único.


Não te parece que está indo muito rápido? Devagar, vai

Quanto mais lento, melhor



Brás Cubas: Difícil resistir

Como é bom! A gente não quer que acabe mesmo

Deus, meu! Me segura

Que espetáculo!




Virgília: Vamos voltar mais vezes? 




Brás Cubas: Claro! 




Virgília: Olha a Lua! 






22 de abril de 2017

Livro: Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis e filme

Olá queridos!
Reproduzo o post do meu Blog Mar de Variedade. 
Esse foi o livro do mês do Clube de Leitura Icaraí. Gostei muito!

Sinopse: Brás Cubas, após a sua morte, faz uma retrospectiva de toda a sua vida com os leitores. 


Esse livro é um clássico da Literatura Brasileira. É o primeiro romance da fase realista de Machado de Assis. 
Ele costuma ser leitura obrigatória nas escolas e costuma cair no vestibular. Confesso que ler um livro dele na fase adulta, com mais maturidade, me trouxe grande prazer na leitura. 
Brás Cubas começa sua narrativa contando que faleceu com 64 anos, solteiro, com cerca de trezentos contos, o que era considerado rico. 
Ele foi um cara de família rica, portanto, não precisava trabalhar, mas buscava títulos. Teve algumas histórias de amor, mas seu grande amor foi Virgília. 
Embora a vida de Brás Cubas não tenha sido espetacular, Machado de Assis conseguiu fazer uma narrativa sobre a vida dele muito interessante. O narrador interage com o leitor o tempo todo. 
Na obra, percebemos as nuances de cada personagem. Conseguimos fazer uma análise de cada um.
O livro também é uma crítica à sociedade, pois mostra a classe burguesa em busca de títulos de nobreza, além de casamentos por interesse, traições, etc. 
É uma ótima leitura!
Recomendo!

Sobre o filme:
Ele pode ser encontrado no youtube. O protagonista é vivido na fase mais velha pelo Reginaldo Faria e, na fase mais jovem, por Petrônio Gontijo. Achei bem fiel ao livro, de forma mais resumida. Muito bom também! Recomendo!

21 de abril de 2017

a máquina de fazer espanhóis: valter hugo mãe

Discurso de um jovem militante contra o regime de Salazar, em "A máquina de fazer espanhóis", de Valter Hugo Mãe, p. 150. Mantida a grafia original do texto todo em minúsculas:
.
"sabe, senhor silva, é preciso que se suje o nome de salazar para todo o sempre. é preciso que o futuro lhe reserve sempre a merda para seu significado, para que os povos se recordem como foi que um dia um só homem quis ser dono das liberdades humanas, para que nunca mais volte a acontecer que alguém se suponha pai de tanta gente. este tem de ser um nome de vergonha. o nome de um porco. para que ninguém, para a esquerda ou para a direita, volte a inventar a censura e persiga os homens que têm por natureza o direito de serem livres."


Nosso protagonista do mês, sob a gravidade de seus 84 anos de idade, enxerga o mundo todo em letras minúsculas. Quando o texto sai da esfera do Sr. Silva como, por exemplo, no capítulo sobre o ídolo peruano Teófilo Cubillas, que jogou no Futebol Clube do Porto entre 1974 e 1976, o texto volta ao que seria de se esperar, com frases e nomes próprios iniciando com letras maiúsculas. Na minha opinião, deveria ter permanecido com letras minúsculas porque o Sr. Cubillas estava naquela vergonhosa derrota da seleção peruana para a Argentina de 6x0, que desclassificou a seleção canarinho. Um verdadeiro episódio de ficção!

Quando a mulher do Sr. Silva vira metafísica, nosso anti-herói lamenta, inicialmente, não viver em um admirável mundo novo, para que a dor da perda não o oprimisse de forma tão desumana, como estava sendo viver em um mundo sem Laura.  Por isso é que  esses relacionamentos emocionais intensos ou prolongados  são proibidos e considerados anormais no admirável mundo novo de Huxley: poupa esses tormentos das perdas. O Sr. Silva maldiz suas memórias, e a saudade que sente, comparando-as a uma opressão fascista. No entanto, ao encontrar no asilo da Feliz Idade um personagem de um poema de Pessoa,  o Esteves sem metafísica, ele flerta inicialmente com a metafísica, para em seguida aceitar que o que lhe resta é a companhia de novos amigos e de seus próprios pesadelos.


"Com a morte, tudo o que respeita a quem morreu devia ser erradicado, para que aos vivos o fardo não se torne desumano, esse é o limite, a desumanidade de perder quem não se pode perder..."






O Sr. Silva costumava ter pesadelos onde abutres devoravam seu corpo. Lembrei-me da premiada fotografia de Kevin Carter, que mostra que o pesadelo do nosso herói do mês não é tão metafísico assim. Escusa-se de falar a referência à obra prima de Hitchcock.


(photo: nelson d'aires) as gralhas grassam

         
          TABACARIA 
                   (Álvaro de Campos, 15-1-1928)
           
        Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
        ...
        Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu. Estou hoje dividido entre a lealdade que devo À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora, E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro. 
         ...
        (Come chocolates, pequena; Come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria. Come, pequena suja, come! Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes! Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho, Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.) 
        ...
          Essência musical dos meus versos inúteis, Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse, E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte, Calcando aos pés a consciência de estar existindo, Como um tapete em que um bêbado tropeça Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada. 
          Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta. Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada E com o desconforto da alma mal-entendendo. Ele morrerá e eu morrerei. Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos. A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também. Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta, E a língua em que foram escritos os versos. Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu. Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas, 
          ...
          Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?) E a realidade plausível cai de repente em cima de mim. Semiergo-me enérgico, convencido, humano, E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário. 
           ...
           (Se eu casasse com a filha da minha lavadeira Talvez fosse feliz.) Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela. O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?). Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica. (O Dono da Tabacaria chegou à porta.) Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me. Acenou-me adeus, gritei-lhe , e o universo Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.


        Periodista Digital
        "- sabes que os peixes tem uma memória de ... 3 segundos... é por isso que não ficam loucos dentro daqueles aquários sem espaço, porque a cada 3 segundos estão como num lugar que nunca viram e podem explorar. devíamos ser assim, a cada 3 segundos ficávamos impressionados com a mais pequena manifestação de vida, porque a mais ridícula coisa na primeira imagem seria uma explosão fulgurante da percepção de estar vivo. compreendes. a cada 3 segundos experimentávamos a poderosa sensação de vivermos, sem importância para mais nada, apenas o assombro dessa constatação.  
        Corvos - Lucio Bouvier
        - seria uma pena que não voltasse a se lembrar de mim, sr. silva, não gosto dessa teoria dos peixes, porque assim não se lembraria de mim.
        ...
        estava no ponto peixe. o glorioso ponto peixe a partir do qual o destino nos começa a ser irrelevante. encaramos as coisas com o mesmo drama com que em segundos o esquecemos e nos esperançamos de alegria por outro motivo qualquer, sem saber por quê."


        "... Muitos mentem sem pudor para não se deixarem humilhar, pouco importava tudo isso porque tão na extremidade da vida eram todos a mesma coisa, um conjunto de abandonados a descontar pó ao invés de areia na ampulheta do pouco tempo".


        Para ler carta enviada a Valter Hugo Mãe por uma leitora do CLIc acesse: http://ritamagnago.blogspot.com/2011/08/carta-enviada-ao-valter-hugo-mae.html

        A carta-resposta do autor está em http://ritamagnago.blogspot.com/2011/09/resposta-do-meu-dileto-escritor.html



        Alguém aí sabe como tirar o fascismo das pessoas?

        Leia este livro.


        Eles estão de volta no CLIc - Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa

        13/07/2017
        19:00h

        Varanda do Teatro da UFF







        18 de abril de 2017

        Chove! - Vera L. S. F.




        A chuva cai.
        Dentro de mim existe apenas solidão.  
        Sofro, sofro profundamente a perda de um amor.
        Recordo, e no meio de tantas lembranças existe a dor dos dias já vividos.
        Vejo, você e eu, de repente, um nada.
        Imagino, a solidão de uma alma.
        Sinto, a dor de uma saudade.
        Deixo, toda uma tristeza.
        Fico, com uma imensa desilusão. 
        Espero, a alegria há muito 
        esquecida.
        Parto, em busca de paz, de um sorriso, de vida.
        Em busca de um amor.



        Escrito em 31- 12 - 65.



        16 de abril de 2017

        Boa Páscoa, Cliceanos!

        Amigos, na Páscoa, celebremos com as cerejeiras o renascimento e recomeço de uma nova vida. (Elenir)

        Em flor, cerejeiras
        trazem beleza e alegria
        celebrando a vida.




        A Páscoa Cristã ocorre sempre no primeiro Domingo após a primeira Lua Cheia Eclesiástica do Outono, que difere da lua cheia real porque não leva em conta o complexo movimento lunar podendo, portanto, divergir, eventualmente. Mas na dimensão da fé, afinal, o que importa a realidade?  

        O antecedente da Páscoa Cristã é a Páscoa judaica que geralmente não coincidem por se referirem a eventos diferentes e se basearem em calendários distintos. O calendário cristão é baseado no movimento do Sol e o judaico no movimento da Lua. A Páscoa Judaica recorda a libertação do povo de Israel da escravidão no Egito, enquanto a Cristã marca a ressurreição de Cristo

        O dia de celebração da Páscoa Judaica é sempre aos 14 dias do mês Nisan e, diferente da Cristã, pode cair em qualquer dia da semana. A Páscoa Cristã nunca acontece antes de 22 de março nem depois de 25 de abril.


        Páscoa significa libertação. Para os judeus, uma libertação política. Para o cristão, uma libertação espiritual.




        ESSE CLUBE TEM HISTÓRIAS...E  SEMPRE RENOVAÇÕES!


        Páscoa ! Renascer.
        Brindar a vida, espalhando
        Alegria e Amor.



        Páscoa é vida!
        Tempo de renovação
        e, sempre, esperança.


        Carinho e Amizade
        Elenir 


        Feliz Páscoa a todos os participantes do nosso clube de leitura Icaraí!!!