CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

11 de fevereiro de 2017

A Bagaceira, de José Américo de Almeida

Olá queridos!
Segue a reprodução do post que fiz no meu blog Mar de variedade. 
Esse foi o livro do mês de fevereiro do Clube de Leitura Icaraí.

Sinopse da Amazon.com.br: “Considerado o marco inicial da segunda fase do Modernismo brasileiro, A bagaceira inaugura o ciclo do “romance nordestino” dos anos 1930. Obra-prima do romance regionalista moderno, a história se passa entre 1898 e 1915, os dois períodos de seca. O enredo central gira em torno do triângulo amoroso entre Soledade, Lúcio e Dagoberto. Soledade, menina sertaneja, retirante da seca, chega ao engenho de Dagoberto, pai de Lúcio, acompanhada de vários retirantes: Valentim, seu pai, Pirunga, seu irmão de criação, e outros que fugiam da seca. Lúcio e Soledade acabam se apaixonando. Mas a relação entre os dois ganha ares dramáticos quando Dagoberto violenta Soledade e faz dela sua amante. A tragédia de amor serve ao autor, político paraibano, puramente como pretexto para denunciar os problemas sociais econômicos do Nordeste, os dramas dos retirantes das secas e da exploração do homem em um injusto sistema social. Explorando os mesmos temas, o baiano Jorge Amado, a cearense Rachel de Queiroz, o alagoano Graciliano Ramos e o também paraibano José Lins do Rego desenvolveram a mesma literatura ficcional crítica e revolucionária.”



Para ser bem sincera, embora reconheça a importância desse romance regionalista, a leitura não me agradou.
A maioria dos participantes do clube gostou da leitura e destacou partes poéticas na história, considerando que a poesia também está presente em situações de dor.
Achei a leitura difícil, pois, embora o livro contenha um glossário ao final (na minha edição de sebo), nem todas as palavras e expressões estão ali. Considero que o livro tem um certo excesso de expressões regionalistas, o que torna a leitura cansativa. Sempre gostei de ler livros regionalistas, como alguns de Jorge Amado, que também utiliza algumas expressões, mas sem exagerar. Esse excesso, para mim, retirou o prazer da leitura.
Volto a dizer que reconheço a importância desse romance e o que não me agrada pode agradar e muito a outros leitores.  
No romance, há um confronto entre os nordestinos dos engenhos e os do sertão.
Bagaceira, no glossário, significa 1: pátio das fazendas onde são depositados os detritos da cana moída; 2: o próprio ambiente (moral) dos engenhos: moleque de bagaceira, por exemplo.
Valentim, sua filha Soledade e o afilhado Purunga e outros saem de uma fazenda na zona do sertão, fugindo da seca. Representam os sertanejos. Vão para as regiões dos engenhos.
Dagoberto representa o senhor de engenho e toda a sua autoridade. Sua mulher falecera por ocasião do nascimento do filho Lúcio. Este se apaixona por Soledade, que acaba sendo seduzida por seu pai, Dagoberto.

“Nesse ambiente afrodisíaco, nutria um amor sem carnalidades, um idílio naturista, com o sabor acre de fruta de vez junto aos abandonos e aos modos de indiferença ou de entrega dessa mulher perturbadora que alvoroçava todo o Marzagão.” (p. 78 da edição do Círculo do livro)
O Lúcio representa um rapaz urbano. Ele estuda e se forma em Direito. E terá uma visão diferente, quando herdar o engenho do pai, buscando melhores condições de habitação para os trabalhadores. Ele é idealista e sonhador.
Um trecho do livro que achei bacana está no capítulo O julgamento e fala de justiça:
“Justiça falível, és a balança de dois pesos que só não pesam nas consciências! Como eu quisera que fosses cega, de verdade, não pela tua ignorância, mas pela imparcialidade!O mau juiz é o pior dos homens.Se o juiz tiver de pecar, seja, pelo menos, humano. Peque pelo amor que é a liberdade e não pelo ódio que é a justiça mais grosseira...Vingue em cada absolvição de um miserável a impunidade dos grandes criminosos!...” (p. 146/147).
Enfim, o livro aborda vários assuntos: a seca do nordeste, a exploração pelo senhor de engenho, a submissão dos trabalhadores, a vida urbana do filho de um senhor de engenho, estupro, entre outros temas. É um importante livro para o Modernismo brasileiro.


Boa leitura!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Prezado leitor, em função da publicação de spams no campo comentários, fomos obrigados a moderá-los. Seu comentário estará visível assim que pudermos lê-lo. Agradecemos a compreensão.