CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

28 de outubro de 2013

somatsE odnel - O Deus das Pequenas Coisas: Arundhati Roy

Bom dia, grupo

Vamos falar do livro do mês? 

Eu adorei conhecer Arundathi Roy através de sua escrita cativante. Excelente livro, que prende o leitor do início ao fim.

Tenho vários aspectos a destacar:

O livro é bastante informativo para quem desconhece a realidade da Índia, do preconceito enraizado em relação às castas, dos problemas com higiene, do 'lugar' da mulher, de sua falta de direitos, das guerras com a China e com o Paquistão. 

É questionador, a respeito da colonização inglesa, do papel viciante e emburrecedor da televisão e da concepção de turista, que assiste a verdadeiros espetáculos circenses montados à custa da corrupção da história para matar a fome de alguns indianos.

É emocionante, pois, contando a história de uma família de comerciantes, fala do amor, da morte, do preconceito, dos impulsos, da raiva, do recalque, da vingança, de abuso,  de pedofilia, e ainda outras coisas que não conto para não ser desmancha prazeres para os que ainda estão lendo. 

Gostei muito da forma como as coisas são narradas, com poesia e singeleza, um livro pleno de belas metáforas.

Deixo com vocês meu poeminha.


Índia de temperos e pimentas
terra rica, solo fértil
quanta pobreza em teus quintais.
Para além das riquezas 
mal distribuídas
sofro com a dor maior
o espírito em agonia
e a miséria dos preconceitos.

Castas te dividem
e a castidade te amaldiçoa.
Inocência pueril corrompida
gestos bruscos de horror
busco um sonho, uma quimera
gêmeos de loucura e de amor.


Com carinho,
Rita Magnago















 * * *

O deus das coisas pequenas
O deus dos pequenos meus
Pecados meus... minhas penas,
Meus sonhos... e os versos teus.

(I)


Da AFP 

No ponto em que as patas geladas a tocaram, ela se arrepiou.
Seis arrepios em seu coração descuidado.
Sua Ammu a amava um pouco menos .

Estha & Rahel - Amor impossível (?)


"O ar encheu-se de Ideias e Coisas a Dizer. 
Mas em momentos como esses, só as Pequenas Coisas são ditas. 
As Grandes Coisas jazem lá dentro, não ditas."

Photo: Steve McCurry

Mesmo de longe, era evidente que a menina estava morta. Nem doente, nem dormindo. Era alguma coisa na maneira como estava deitada. O ângulo dos membros. Algo a ver com a autoridade da Morte. Com sua terrível quietude. 




Never to Forget

To love.
To be loved.
To never forget your own insignificance,
To never get used to the unspeakable violence
and the vulgar disparity of life around you.
To seek joy in the saddest places.
To pursue beauty to its lair.
To never simplify what is complicated
or complicate what is simple.
To respect strength, never power.
Above all, to watch.
To try and understand.
To never look away.
And never, never to forget.


Arundhati Roy, in The End of Imagination, 1998






Na foto da direita, Arundhati Roy entre os guerrilheiros do movimento maoista na floresta de Dantewada, no coração da Índia, quando passou três semanas acompanhando a resistência da população indígena local contra a política governamental de exploração dos recursos minerais da região.




"Tudo que se eleva acima da sua condição, tanto no bem quanto no mal, expõe-se a represálias dos deuses. Tende, com efeito, a subverter a ordem do mundo, a pôr em perigo o equilíbrio universal e, por isso, tem de ser castigado, se se pretende que o universo se mantenha como é."

Ammu & Velutha: amor impossível
Ele deixou um buraco no Universo pelo qual a escuridão jorrava como asfalto líquido. Pelo qual a mãe deles seguiu, sem se voltar nem para acenar uma despedida. Ela os abandonou, girando no escuro, sem ancoradouro, em um lugar sem alicerces.

Quem era ele?
Quem podia ter sido?
O Deus da Perda.
O Deus das Pequenas Coisas.
O Deus de Arrepios e Sorrisos Súbitos.
Ele só conseguia fazer uma coisa de cada vez.
Se ela a tocasse, não tinha como lhe falar, se ele a amasse, não tinha como ir embora, se ele falasse, não tinha como escutar, se lutasse, não tinha como ganhar. 

"Um buraco no universo..." - NGC 4889, na constelação de Coma Berenices

As coisas podem mudar em apenas um dia.

Todos esperamos um certo dia, em que as coisas mudem. 
Tudo pode acontecer para qualquer um. 
É melhor estar preparado...

... leva apenas um momento! 



Rahel parou e virou-se para ele, e em seu coração uma mariposa parda com tufos de pêlo dorsal excepcionalmente densos desdobrou as asas predadoras.

Abrindo devagar.

Fechando devagar.

Por quê?

Ela está no CLIc          (photo: Cristiana)

O Marxismo como substituto histórico do Cristianismo. Substitui:

Deus por Marx
Satã pela burguesia
o Céu por uma sociedade sem classes
a Igreja pelo Partido

a forma e o propósito da jornada continuam os mesmos


O deus das coisas pequenas
deixou-nos uma charada...
transmutações pouco amenas
que são enormes charadas.

(I)

Locust stand I

De volta ao começo, 15 anos depois! 
Em novembro, o Clube de Leitura Icaraí volta a debater o livro que deu origem a sua história. 
Quem disse que não há uma nova chance de recomeçar, sempre?
Esperamos por você!




"... as coisas podem mudar num só dia... as vidas podem ter seu rumo alterado e assumir novas - e feias - formas."

Estha & Rahel

Só que mais uma vez eles quebravam as Leis do Amor. 
Que determinam quem pode ser amado. 
E como. 
E quanto.

Quer conhecer melhor o livro antes de decidir lê-lo? Leia aqui

How do you hold a moonbeam in your hand?

Quando se ama, não há muito que se possa fazer a respeito!



8 comentários:

  1. Beautiful! If only words could change the world...

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  2. Querido Evandro, para participarmos do CLIC, agora, temos que fazer um curso de inglês? O Clube está ficando muito sofisticado! Estou pretendendo, amanhã mesmo, matricular-me em um aqui perto de casa, a fim de ler as resenhas e responder. OK?
    Beijos carinhosos para você e Cíntia.
    Elenir

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  3. Olá Elenir! Queremos publicar aqui, em primeira mão, seus haicais na língua de Shakespeare!

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  4. Evandro querido, por enquanto só sei responder: OK! Thank you!
    Elenir

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  5. A postagem do "Deus das pequenas coisas" está caprichadíssima. Parabéns, concièrge! Acho muito significativo que quem não entrou no clube desde o início tenha a chance de ler o primeiro livro escolhido pelo grupo. Eu amei o livro.

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  6. Raffiniert ist der Herr Gott, aber böshaft ist er nicht!

    Albert

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  7. Das pequenas coisas

    Os nossos olhos estão sempre voltados para os grandes realiza­dores: artistas famosos, empresários multinacionais, líderes que mobilizam massas. Mas, se perguntarmos a qualquer um deles como conseguiram chegar ao topo, uma parte da resposta será: ‘eu prestei atenção nas coisas pequenas’.

    C. Lobo lembra um mito nórdico a respeito: quando o príncipe Balder nasceu, um profeta disse a sua mãe que ele morreria ainda criança. Desesperada, passou a defender o filho de todos os perigos.

    Um dia ao voltar para casa, viu um pequeno cogumelo – mas não deu importância, porque lhe parecia insignificante. Foi este cogumelo venenoso que o menino Balder comeu.

    Paulo Coelho

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  8. São as pequenas coisas, as tarefas diárias de pessoas comuns, que mantém o mal afastado, simples ações de bondade e amor.

    Gandalf

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