CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

9 de abril de 2013

A Ilha sob o Mar: Isabel Allende




Tendo como pano de fundo o Haiti do século XVIII, A ilha sob o mar, da escritora chilena Isabel Allende, entra em discussão no encontro do Clube de Leitura Icaraí do dia 5 de abril, das 19h às 21h, na Livraria Icaraí (Rua Miguel de Frias, 9 –Icaraí – Niterói). A entrada é franca.
O romance narra a história de Zarité, uma escrava vendida aos nove anos para um dos maiores produtores de cana-de-açúcar das Antilhas e de quem mais tarde se torna amante. Mesmo sem sofrer maus-tratos, Zarité acompanha de perto o sofrimento de seu povo. Quando a revolução haitiana explode contra os colonizadores franceses, ela tem a oportunidade de fugir e recomeçar a vida em outro país.

Sobre a autora- Isabel Allende nasceu no Peru, mas considera o Chile a sua terra natal. É considerada uma das principais revelações da literatura latino-americana da década de 1980. Seu livro A casa dos espíritos (1982) foi adaptado para o cinema americano. A ilha sob o mar é o 16º romance publicado de Isabel Allende.




Erzuli me deu como céu
a ilha sob o mar
lá guardo meus mortos
lá meus mortos me aguardam
justos sonhos de ser gente
germinam e florescem
longe do açúcar vermelho.
Nossos pés sem calos se acariciam
numa eterna dança de pássaros
que voam no chão da terra
invertidos
livres
prontos para o amor.


Rita Magnago


* * *


E nos dias de hoje, mais de dois séculos após as histórias contadas no romance, e de cerca de 150 anos do assassinato de Lincoln ...




* * *

"Sobre esse livro A Ilha Sob o Mar... hummmmmm... Meu resumo é o seguinte: é um "Leque Secreto" afro-centroamericano... Só não tem pézinho quebrado pra caber no sapatinho mínimo, mas tem todo o resto, até a guerra que mata aos montes, as doenças que dizimam, os casamentos arranjados, o sofrimento feminino, a brutalidade masculina... Apenas sai o velho Oriente e entra o "Novo Mundo". Saem os olhos puxados e entram os negros. Sai a Flor da Neve e entra a Cana do Sol" (novaes /)


* * *



"Sentia que sua vida era uma navegação sem timão nem bússola, encontrava-se à deriva, esperando algo que não sabia nomear"





E se um dia se acabar

minha sacola de sonhos

vou ter que "costumizar"


meus pesadelos medonhos.


Ilnéa




* * *

"A Ilha Sob o Mar, dentre os de Isabel é o que eu gosto muito. Fiz a resenha no meu blog. Quem quiser dá uma olhada. Eu o li e confesso que já não acho tão legal, mas vale como ensejo para discussão." (Roberto)


* * *


Louisiana

* * *

"É uma leitura que nos envolve desde as primeiras páginas até as finais com um gosto enorme por saber mais e mais da história." (Sonia)



8 comentários:

  1. ... e lá vou eu de novo, anonimamente Ilnéa, perguntar ao meu caro amigo Evandro: e o livro da Isabel? A ilha está tão bem escondida sob o mar que não a/o encontro! Será que vou ter que comprar um escafandro e mergulhar por aí? No mar mesmo, pois que, nas livrarias... KAPUT!!! Não há nem folhas soltas!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu comprei o original, em Espanhol, na estante do meu IPad. O preço? US$6 e qualquer coisa mais. Não demora nadinha.
      Cansei de passear livrarias, embora adore fazê-lo, mesmo quando, verdadeiramente, não estou procurando nada, só a companhia deles.
      Abraço,
      Ilnéa, embora continue "anônima".

      Excluir
  2. Eu estou gostando muito do livro "A Ilha sob o Mar". A impressão que tive é que todos podem influenciar de alguma forma, desde que tenha algum diferencial, independente da cor da pele ou posição social. Ainda não terminei a leitura, estou a caminho...

    Sonia Salim

    ResponderExcluir
  3. Bom livro, para mim nota 7,5.
    Até o final lembra "Flor da Neve".
    Estou impressionado com as semelhanças... Seria isso um "esquema"? Um "modelo"? Ou apenas uma coincidência? Duas autoras, mulheres falando de mulheres que sofreram opressão odiosa no passado, fundo histórico, doenças/epidemias, saga familiar, morte sentida.
    As emoções finais têm um papel importante, nos fazem pensar, fixam o drama em nossa mente.

    ResponderExcluir
  4. Eu não vi semelhança com o livro de Lisa See. A questão da dor, da opressão, do preconceito é lugar comum quando se trata do universo feminino, infelizmente, mas a "A ilha sob o mar" me pareceu muito mais que isso.
    Primeiro é ainda mais abrangente e fala da escravidão de forma geral, e não apenas da subserviência da mulher.
    Depois o lúdico e o sonho sobrevivem, apesar da realidade pedir sua enorme cota de sofrimento.
    Zarité é livre e feliz quando dança, quando ama, quando vive plenamente, o que não se pode dizer de todos e especialmente da personagem do Leque Secreto, que se consuma em arrependimento sem de fato ter feito nada digno, o que ela teve a chance de quando sua sogra morre.
    Para mim Isabel apreende a escravidão física e psíquica e nos mostra que Zarité nunca teve sua cabeça escravizada. Mesmo nesse mundo de hoje, quantos podem dizer isso verdadeiramente? Nota 10 para a Allende.

    ResponderExcluir
  5. Legal essa comparação entre as personagens. Realmente, a única semelhança entre elas é o fato de serem mulheres, o que não é o fundamental, porque os homens afro descendentes também eram oprimidos e nunca se submeteram.

    ResponderExcluir
  6. Outra coincidência: homem fazendo dinheiro de forma questionável.
    Em Flor da Neve, um dos homens ganha muito dinheiro - legalmente - indo buscar e vendendo sal, se não me engano. Com a crise e a fome local, ganhou rios de dinheiro. Foi dentro da lei, mas foi ganho às custas das dificuldades que a sua cidade passava. Em Ilha sob o Mar, o francês se apoderou (criminosamente) da fortuna do colega escravagista morto.
    O que estou querendo dizer é que, obviamente há diferenças, pois se não seria o mesmo livro, mas há alguma coisa semelhante na estrutura. Na estrutura, não nos detalhes. A alegria interior de Zarité, no fundo, é um ato de resistência. Uma forma de não sucumbir integralmente às violências diárias, uma forma de não enlouquecer, de não desistir de viver. Mais uma vez vejo o mesmo em Flor da Neve. Em meio à opressão medieval, as duas amigas têm na relação entre elas uma válvula de escape, um caminho para expressar amor, carinho, atenção - tudo o que não tinham nem com os pais, com a família, estruturada de forma hierárquica, mercenária e cruel. A "família" de Zarité era o oposto, desestruturada, afastada ou comercializada à força - mas isto me soa apenas como o outro lado da mesma moeda. A moeda é o efeito de sistemas absurdos sobre a vida das pessoas, em particular das mulheres, e o sofrimento daí advindo.
    Não digo com isso que o livro é ruim. O livro é bom. Aumento minha nota para 8. Mas estou intrigado com essas estruturas...

    ResponderExcluir
  7. Terminei de ler o livro na sexta-feira à noite e assim, com mais de meio século de vida é que vivi a escravidão. Totalmente capturada pela autora que brilhantemente nos leva nesta história que junta fatos reais com ficção.
    Embora madura não consigo encontrar alguma razão que justifique as atrocidades, a falta de amor pelo humano, a falta de compaixão das pessoas que submeteram aqueles negros a condições subumanas.
    O livro tem o poder de nos levar para lugares impensáveis e pelas mãos de Isabel Allende viajamos no tempo, na história.
    O que mais gosto na autora é o cuidado que ela tem na criação dos personagens, reais ou fictícios. É uma grande contadora de histórias, observadora dos nossos tempos e que olha para trás com sabedoria e emoção.
    Infelizmente ainda conseguimos linkar a escravidão de 200 anos atrás com as dos dias de hoje, disfarçada, velada mas presente e com urgência de reparação.
    Ainda meio que transito pelo livro terminado, mas já estou com o pé no corredor, me preparando para encontrar o estranho, O estranho no corredor que é o próximo livro que o grupo lerá junto.

    ResponderExcluir

Prezado leitor, em função da publicação de spams no campo comentários, fomos obrigados a moderá-los. Seu comentário estará visível assim que pudermos lê-lo. Agradecemos a compreensão.