CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

6 de dezembro de 2012

D'As Nuvens virtuais do CLIc: Rejane

Boa noite  Clube da Leitura!

Quanto ao livro, confesso que me frustrei um pouco, esperava um pouco mais adentrar no mundo imaginário dos "loucos" .  Há mais descrições externas do que internas.  Tratando-se de tema da loucura acreditava que fosse tratado mais do subjetivo.  Mas valeu.  

Gostei dos comentários da Cristiane Seixas e do Newton, principalmente quando remete ao tema silêncio.  Sem dúvida essencial para encontrarmos a nós mesmos, mas que na maior parte das vezes relutamos.

Quanto filme "bicho de sete cabeças" com o Rodrigo Santoro, assisti há um tempo atrás e retrata bem a situação dos manicômios há época, tendo como pano de fundo a história de um adolescente que por ser meio esquisitão, calado e maconheiro foi visto como "louco", pelo o que lembro.  Bacana o filme.

Mas o que gostaria de acrescentar mesmo é como é impressionante ssa linha tênue que separa a chamada "normalidade"  da "loucura".   Muitos artistas foram considerados loucos, quando na realidade tinham uma visão a frente de seu tempo. Já os chamados normais, mesmo vivendo suas neuroses cotidianas dentro de uma grande ilusão a respeito de si mesmos e do mundo, são vistos como tais.

Certa vez manuseando um livro de CID's (os chamados códigos de doenças utilizado pelos médicos) fiquei perplexa com a quantidade de doenças psíquicas assolam o ser humano.  Se você for ler com calma, com certeza irá identificar-se com algumas delas...

Voltando ao tema loucura, há um documentário excelente disponível no YOUTUBE que trata dos trabalhadores do antigo lixão de Camacho no Rio, em que um famoso artista plástico fez que com os trabalhadores produzissem verdadeiras obras de arte com o lixo e que foram leiloadas por excelentes preços.  Mas uma personagem que me chamou a atenção no documentário foi Estamira, que se não me engano, deu nome ao filme.

Ela, diagnosticada como esquizofrênica tinha pronunciamentos muitas vezes lúcidos.  Na época cheguei a registrar alguns.

Vejam:


“é melhor não ser normal, normaticamente encaixotado na violência hipócrita e trivial do burguês com 90% de cifras na alma enferrujada”

“eu não sou como vocês que são apenas robôs sanguíneos”

“neste mundo de maldades não tem mais o inocente; o que tem, isto sim, por todo lado, é o esperto ao contrário”

“Tempo eterno é tempo infinito, mas tem o além e o além do além. Nenhum cientista foi até o além, quanto menos no além do além. Para mim tudo o que nasce é nativo, isto é natal”

“Tudo o que é imaginário existe, é e tem”

“A morte é a dona de tudo”

“Isto aqui é um depósito de resto e descuido. Às vezes vem também descuido. O resto e descuido."

“Quem revelou o homem, ensinou ele a conservar as coisas. E conservar as coisa é proteger. É lavar, limpar e usar mais. O quanto pode. Miséria não! Mas a regra sim! Por que economizar é maravilhoso!”

"A criação é abstrata. A água é abstrata, o fogo é abstrato e a Estamira também é abstrata!”

“ A minha missão além de ser Estamira é revelar somente a verdade e capturar a mentira”. 

“ Eu sou a Estamira, sou a beira do mundo, estou lá, estou cá, estou em todo lugar”

“Trocadilho é o que faz as pessoas viverem na ilusão, quem engana o homem e faz acreditar em coisas que não existem”.

“Diz que os “astros” ruins têm inveja do cometa que vive em sua cabeça e raiva por ele ter escolhido um corpo frágil como o dela” 

“ A solução é o fogo!”

“ vocês vão para escola para copiar! Até meu neto de dois anos sabe disso. Ele que anda não foi para escola copiar … hipocrisias, mentiras, charlatanice"

Um abraço e boa reunião amanhã!

Rejane

Como participante virtual






2 comentários:

  1. Rejane, muito bom.Que tal dividir essas informações no Face?
    Muito boa a seleção de frses que vc fez, além do ótimo comentário.
    Abraços

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  2. Obrigada Rejane,
    emocionante, assustador e enriquecedor descobrir tantas verdades dentro de uma mente simples e confusa...
    Bom você estar com a gente !
    Beijinhos ternos e sempre cheios de esperança,
    Vera Freire.

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