CLIc: uma janela aberta às mentalidades coletivas

A literary think tank

O Clube de leituras não obrigatórias

Fundado em 28 de Setembro de 1998

2 de maio de 2012

ESTAMOS LENDO - Vida e Morte de M.J. Gonzaga de Sá: Lima Barreto





O Clube de Leitura Icaraí promove mais um encontro nesta sexta-feira, dia 4 de maio. O livro tema será Vida e morte de M.J. Gonzaga de Sá, do escritor pré-modernista Lima Barreto. O evento acontece às 19h na Livraria Icaraí, Rua Miguel de Frias, 9, em Niterói, e tem entrada franca.
Considerado pela crítica o mais bem escrito romance de Lima Barreto, a obra conta a vida do personagem Gonzaga de Sá através dos olhos do narrador Augusto Machado. Marcado pelo questionamento filosófico, a estória alterna lembranças e reflexões do narrador a respeito da trajetória de Gonzaga, um funcionário público formado em Letras. Extremamente crítico, ele atacava a aristocracia, representada pela gente de Petrópolis e do bairro de Botafogo, e denunciava o preconceito racial, marca dos livros de Lima Barreto. Sátira à sociedade daquele tempo, o romance ainda enseja uma crítica à ineficiência do serviço público.  (Editora da UFF)


Documentário sobre Lima Barreto, veja aqui.
MESTRES DA LITERATURA


Alguns locais citados no livro "Vida e Morte de Manuel Joaquim Gonzaga de Sá" de Lima Barreto

Paço Imperial


Praia das Flechas
Gonzaga de Sá acreditava que com o desenvolvimento da viação urbana, o trajeto entre Méier e Botafogo que na época levava cerca de 2 horas de charrete ou de bonde, seria feito muito mais rapidamente. Mal sabia ele que hoje em dia deve estar demorando umas 4 horas apesar de todo o desenvolvimento realizado ao longo de um século inteiro. Ele não conhecia a maldição dos engarrafamentos.


Jurujuba

Av. Central


Lima Barreto zeitgeist






Cais do Valongo
75 anos mais tarde, eu passaria por aqui quase diariamente pelos 35 anos seguintes, até agora.
Morro do Castelo



Rua do Ouvidor












"É a Rua do Ouvidor! Então é a vertigem; todas as almas e corpos são arrebatados e sacudidos pelo vórtice. Há uma energia poderosíssima nelas todas e nas coisas de que se vestem; há atração, fascinação para esquecimento de nós mesmos e apagamento da nossa personalidade na luminosidade dos seus olhos. É mágico e sobrenatural. Esvaziam-se os pecúlios pacientemente acumulados; vão-se as heranças que tantas dores resumem, e os cofres das repartições e dos bancos sangram..."
Baía da Guanabara par Marc Ferrez

Largo de São Francisco - Marc Ferrez







Cais Pharoux - Praça XV
"Por que não sou assim como aquele barrigudo senhor, inconscientemente animalesco, que não pensa nos fins, nas restrições e nas limitações? Longe de me confortar a educação que recebi, só me exacerba, só fabrica desejos que me fazem desgraçado, dando-me ódios e, talvez despeitos! Por que ma deram? Para eu ficar na vida sem amor, sem parentes e, porventura, sem amigos? Ah! se eu pudesse apagá-la do cérebro! Varreria uma por uma as noções, as teorias, as sentenças, as leis que me fizeram absorver; e ficaria sem a tentação danada da analogia, sem o veneno da análise. Então, encher-me-ia de respeito por tudo e por todos, só sabendo que devia viver de qualquer modo..."
Praça Mauá

Bondinho de Santa Tereza - Arcos da Lapa

... Era uma preta retinta, de uma pele macia de veludo ... A gratidão devia ser grande. Aquele homem agora morto lhe dera as mais gratas satisfações de sua humilde vida. Casara com a filha, apoiara com seu prestígio de homem a sua fraqueza de condição de menina, arrebatara-a ao ambiente que cerca as raparigas de cor, dignificara-a, ela, a quem quase todo o conjunto da sociedade, sem excetuar os seus iguais, admitem que o seu destino natural é a prostituição e a mancebia. Do outro lado, lá estava o neto... Coitado! Nem o estudo lhe valeria, nem os livros, nem o valor, porque, quando o olhassem diriam lá para os infalíveis: aquilo lá pode ser nada!

     Tive uma pena infinita, imensa, afetuosa por aquela pobre alma órfã tantas vezes; eu tive uma imensa tristeza que aquela inteligência não se pudesse expandir livremente, segundo o próprio caminho que ela própria traçasse...

Rua da Carioca
Rua do Catete


"Não se lê Lima Barreto para aprender português. Lê-se Lima Barreto para aprender a ser Brasileiro"

Passeio Público


Fonte dos Amores




Estação de Trem da Piedade


Vinho Bucelas Branco




Leia o livro na íntegra






6 comentários:

  1. Muito boas pesquisas de imagens! E excelente comentário sobre o trânsito!

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  2. Obrigada, concièrge, por esta viagem através das fotos.

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  3. Sapopemba e Maxambomba
    Zeca Pagodinho
    Composição: Nei Lopes / Wilson Moreira


    Tairetá hoje é Paracambi
    E a vizinha Japeri
    Um dia se chamou Belém (final do trem)
    E Magé, com a serra lá em riba
    Guia de Pacobaiba
    Um dia já foi também (tempo do vintém)

    Deodoro também já foi Sapopemba
    Nova Iguaçu, Maxambomba
    Vila Estrela hoje é Mauá (Piabetá)
    Xerém, Imbariê
    Mas quem diria
    Que até Duque de Caxias
    Foi Nossa Senhora do Pilar

    Xerém, Imbariê
    Mas quem diria
    Que até Duque de Caxias
    Foi Nossa Senhora do Pilar

    Tairetá...

    Tairetá hoje é Paracambi
    E a vizinha Japeri
    Um dia se chamou Belém (final do trem)
    E Magé, com a serra lá em riba
    Guia de Pacobaiba
    Um dia já foi também (tempo do vintém)

    Deodoro também já foi Sapopemba
    Nova Iguaçu, Maxambomba
    Vila Estrela hoje é Mauá (Piabetá)
    Xerém, Imbariê
    Mas quem diria
    Que até Duque de Caxias
    Foi Nossa Senhora do Pilar

    Xerém, Imbariê
    Mas quem diria
    Que até Duque de Caxias
    Foi Nossa Senhora do Pilar

    Atualmente a nossa velha Baixada
    Tá pra lá de levantada
    Com o progresso que chegou
    Tá tudo "Olinda"
    O esquadrão fechou a tampa
    O negócio é Rio-Sampa
    Grande Rio e Beija-Flor

    Morreu Tenório
    Terminou sua epopéia
    E Joãozinho da Goméia
    Foi Oló, desencarnou
    Naquele tempo
    Do velho Amaral Peixoto
    Meu avô era garoto
    E hoje eu sou quase avô

    Tairetá...

    Tairetá hoje é Paracambi
    E a vizinha Japeri
    Um dia se chamou Belém (final do trem)
    E Magé, com a serra lá em riba
    Guia de Pacobaiba
    Um dia já foi também (tempo do vintém)

    Deodoro (que bonito!) também já foi Sapopemba
    Nova Iguaçu, Maxambomba
    Vila Estrela hoje é Mauá (Piabetá)
    Xerém, Imbariê
    Mas quem diria
    Que até Duque de Caxias
    Foi Nossa Senhora do Pilar

    Xerém, Imbariê
    Mas quem diria
    Que até Duque de Caxias
    Foi Nossa Senhora do Pilar

    Atualmente a nossa velha Baixada
    Tá pra lá de levantada
    Com o progresso que chegou
    Tá tudo "Olinda"
    O esquadrão fechou a tampa
    O negócio é Rio-Sampa
    Grande Rio e Beija-Flor

    Morreu Tenório
    Terminou sua epopéia
    E Joãozinho da Goméia
    Foi Oló, desencarnou
    Naquele tempo
    Do velho Amaral Peixoto
    Meu avô era garoto
    E hoje sou quase avô

    Naquele tempo
    Do velho Amaral Peixoto
    Meu avô era garoto
    E hoje sou já sou avô

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  4. Caro Concierge...Mais uma vez sua postagem e analise sb o livro que iremos ler,me causou um prazer enorme...seu esmero , cuidado e preocupação em nos dar tais informaçoes, tao valiosas, sao proprios da pessoa que vc e Cynthia sao....Obrigada...ceci

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  5. Excelente! Muito bacana o "estofamento" da leitura deste mês. Tem o clima do livro e contribui bastante com a leitura do livro. Parabéns!

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  6. para grupo-de-leitura> Mensagem do nosso Concièrge para ficar guardada.Elô.




    para grupo-de-leitu.

    Bom dia, Clube!

    Seguindo a nova onda sul americana, inspirada na Cristina Kirchner e no Evo Morales, após intensas e repetidas moções de nosso participante ultra radical, Benito, contra os ventos liberais que sempre soprou no CLIc, decidimos democraticamente estatizar 50% das nossas ações de leituras ontem, em acirrada disputa interna no clube: a partir de agora alternaremos as leituras entre autores nacionais e estrangeiros. Assim, a enquete para escolha do livro de Setembro, apenas com autores nacionais que me foram sugeridos, já está no blog. Peço a todos que façam sua pré-seleção para chegarmos no dia da reunião com apenas 2 opções preferenciais, de forma a tornar rápida e objetiva a escolha final do livro.


    Achei a reunião de ontem extraordinária. Excelente análise da obra e vida de Lima Barreto, feita pelo Winter, que foi quem sugeriu a leitura do livro, especialmente das informações sobre a gênese dos personagens de “Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá”. Benito, como sempre, fez a costumeira e riquíssima crítica literária da obra. Belíssimo o que a leitura de Lima Barreto proporcionou às leitoras Niza e Marli, uma oportunidade de diálogo e reencontro com seus pais, e a leitura arrebatadoramente poética que a Elenir sempre faz. O bastão da fala, uma faca envolta por palavras afiadas do autor do mês, genial! As diferentes visões dos participantes sobre o autor e sua obra: conservadorismo do autor, atualidade das questões abordadas no livro, escrita visionária, identidade com as cidades de Niterói e Rio de Janeiro, ingenuidade, revolta, angústia, amargura, loucura, pobreza, racismo, etc. A delícia de percorrer os locais da cidade descritos na obra, como pontuou Antonio, saber que o autor andou por essas ruas que andamos hoje quase nos insere na narrativa. As importantes informações que muito acrescentam na nossa compreensão da obra trazidas pela Eloisa, que eterniza os momentos da reunião com os registros fotográficos e conduzindo a votação da escolha do livro de Agosto, a saber, “Homem Comum” de Philip Roth, que vai certamente sacudir o grupo como sempre faz o autor de Indignação.


    Apesar da dificuldade de conseguir o livro do mês, mostramos mais uma vez que sabemos garimpar livros que nos interessam independentemente de ser ou não lançamento ou edições recentes. Buscamos em bibliotecas, sebos, fazemos cópias, emprestamos nossos livros uns aos outros, lemos cópias eletrônicas online e tudo o que for preciso, o que mostra o vigor do nosso clube de leitura.


    Antes da leitura do livro desse mês, acho que eu tinha medo do Lima Barreto. O que me falavam dele não me estimulava a lê-lo: alcoolismo, loucura, um autor regional, pobre, negro, brasileiro, nacional, infeliz, ressentido, amargurado … acho que tinha medo de mim mesmo, fugia disso porque me apavorava descobrir que era e tinha tudo isso dentro de mim. Repugnante! A Literatura me libertou e eu adorei lê-lo, me identifiquei muito com sua escrita, do fundo do coração, de alma. Obrigado CLIc!


    Que venham mais autores brasileiros!


    [ ] Evandro

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